Dazed and Confused.
sexta-feira, dezembro 17, 2010As autoestimas estavam exaltadas, nossos egos etílicos reverberavam calor, como corpos eletrizados, como aprendemos. Falávamos, interrompíamo-nos, ávidos. Aqueles corpos, de quem a coragem escorria pelas pontas dos dedos na negra e turbulenta adolescência, quase se tocavam, eram condescendentes, cúmplices e íntimos. Uma intimidade inocente, como a mão esquerda é da mão direita. Conjurávamos, amaldiçoávamos, criávamos caso com outros que, assim como nós, tentavam passar pela negra adolescência, com um único objetivo: passar dessa fase de merda sem ferimentos mais graves. Éramos meninos [e menina] sobreviventes, irmãos e, agora, adultos. Jornalista, professor de História, professor de Geografia, radialista, musicista e alguém cuja profissão tem a ver com informática. Algozes de nós mesmos a engendrar planos maquiavélicos e encher nossas veias de um veneno libertador de superego. Nossas feições mudaram muito. Os tons de voz, os cabelos. Entretanto, dentro de cada um ainda existia um pouco de nós, aqueles velhos meninos [e menina] cheios de pesares e convicções.
O horizonte cobria-se de laranja, insinuava um fim de tarde embebido em água – da chuva - e álcool. E como era boa a sensação, como um bálsamo que acalenta a alma, como um vento forte que náufraga nossos medos, como uma reza que silencia quebrantos, como um solo ao vivo de qualquer música do Led Zeppelin. Éramos menos feios do que pensávamos na época, enfim. Éramos menos pretensiosos.
Um silêncio aterrador perturba minha chegada ao nirvana, o silêncio que precede a partida, a penúltima descoberta. Dizemos junto o sonoro, aflitivo, solitário e definitivo “é...”. Ele é o Franz Ferdinand para a despedida. Desde os primórdios, os amigos o evitam com destreza. Sabíamos que ele viria, não tão cedo quando imaginávamos. Meninos [e menina] repetitivos sobre as mesmas bandas de rock, meninos [e menina] perdidos em outra década. Meninos [e menina] decididos em nunca pensar
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