Sobre o fogo
quinta-feira, junho 09, 2011E Galeano contava que alguém contava que somos pequenos foguinhos. Alguns, dada sua beleza e calor, nos queimam, incendeiam.
Meu bem, em que sua fogueira consumi o que havia de mais precioso dentro de mim. Fogueira alta, inebria. Como um vinho que entorpece os corpos à meia noite de sábado, em maus lençóis. Como um doce veneno que engana uma moça a cada esquina fria, coberta de chuva rala. Fogueira tênue, perigosa, torpe. Eu fui chuva, chuva que arde.
A dança cósmica das almas que se encontram. Almas que, pelo desprezar do erro, perdem-se e se cruzam para nunca mais. Consomem-se pela avidez do encontro, entram numa existência superior. Como um fogo que eleva as almas. Fugazes como chamas veementes dos corpos, numa tempestade de faíscas invisíveis, que só os amantes mais perspicazes são capazes de enxergar. Um sangue latino, um tango argentino, um coração em cinzas.
Como posso lhe desejar outro amor? O fogo que alimenta minha existência é egoísta. Autofágico. Desejo que suas ruas se acabem, por mais que eu as quisesse (dramaticamente) intermináveis. Que seu inquietar só se acalme em mim.
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