Tristeza no dos outros é refresco.
sábado, julho 30, 2011Não gosto da tristeza. Dizem que ela é mais bonita, mais artística. Eu gosto mesmo é de sentir. Como quem sorve até a última gota do melhor vinho, de uma cidade que nunca mais voltará. Como alguém que se deleita e folheia um livro proibido, que nunca mais tocará. Como alguém que recebe um veredicto de crime que sentiu prazer em cometer, com êxito deposita suas últimas palavras em cigarro – o melhor de todos. Sinto com prazer não com pena, por isso tudo é novo e ao tudo ao mesmo tempo. Sentimentos com um misto de intuição e pura força do acaso. A intuição das 99% de chances em dar errado, o acaso do “e se der certo?”. Não gosto de tristeza. Tristeza é adeus e não gosto de despedida. Gosto daquele desconcerto inicial do primeiro encontro. De não saber como agir nem onde colocar as mãos. Tristeza é fim de tarde e o pedido de desculpas nada sincero. Não gosto, mas ela ajuda minha alma escritora. Dizem que os melhores álbuns dos melhores músicos são aqueles de verdadeira ode a tristeza. De certa forma concordo. Eu gosto do Ray Charles. A tristeza dele aquieta meu espírito, motiva minha reflexão. Aponta num horizonte caótico uma nova perspectiva. É romântico e apoteótico. O problema com a tristeza nem é ela, propriamente dita. O problema da tristeza é ela ser, em mim.
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