Maldita linguiça

domingo, setembro 18, 2011

No gozo merecido de férias me apaixonei pela mocinha, ora pois, da padaria aqui ao lado. Eita doença senil essa do interesse. Deixa de quatro, voltamos aos parentes distantes que andavam na posição cachorrinho, causa mortis de todo homem romântico pós-moderno. Comprava pãezinhos, sem vontade de comê-los. Era sim para ver a formosa filha do Portuga. Simpática e sempre disposta, colocava os pães dentro da sacola com uma beleza exuberante. Ruivinha que doía. Aproveito o ensejo para deixar claro aqui meu desejo pelas vermelhas. Aquelas sardas são uma ode a sedução. Fazem um Gauguin parecer um rabisquinho. Um pintor de meia pataca. Ah, que fruição dizia aqueles singelos "um real e vinte e cinco centavos".

Fui entender a intimidade ruiva das ruivas quando deixei a confraria das morenas para atravessar o lado vermelho da força. Curioso. Uma ruiva não passa despercebida. Uma fonte inesgotável de luxúria. Todo homem deveria ter o direito inalienável de poder se engraçar uma ruiva, uma vez que fosse. As ruivas causam um diabo de sofrimento. Uma dor de cabeça tamanha. Como pôde o Sr. Deus maquinar ser tão lascivo, cria de nossas próprias costelas? Coisa de um deus luso-brasileiro, só pode. Como se cada fiapo rubro de cabelo também tivesse conectado a fonte interrupta de persuasão, tão vermelha quanto. Uma beleza que entra em contato com o mais inusitado dos desejos, com o pecado mais original. Nunca havia conversado tanto no silêncio. Mas voltemos à ruivinha em questão, a filha do português irritadiço da padaria. O pão era uma porcaria, mas moça...

Esses dias topei com meu destino, sempre cruel. Encontrei a pequena com tanto mau-humor que pensei até ser uma cobrança aos meus fiados. Por que quebraste minhas lânguidas pernas, ó deusa, expressão fêmea de beleza e louvor? Perguntei o motivo da amargura, nunca havia visto cara tão feia. Ela reclamava que o novo namorado – fator impactante na conversa, não fosse homem de força, choraria ali, em sua sagrada face. Um celebre vendedor de miudezas do bairro que estava por oferecer sua fabricação caseira mais famigerada, a linguiça toscana, a outras freguesias. Nunca gostei da iguaria, mas dessa vez é definitivo. Não posso competir com a linguiça dele.

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