Reescrevendo, em duas letras.

sábado, janeiro 08, 2011

Todo mundo quer ser tudo. Quem disse que não se poderia ser tudo que se quisesse, com toda certeza, não foi suficientemente tudo. Há dias que me pergunto, que sentimento que se hospeda em meu espírito, sentimento inóspito que teima em apenas visitar. Bate assim, todo começo de ano. Um sentimento que apesar de conhecido, é novo ou será que faz novas todas as coisas? Tão visceral que é impossível não notá-lo. Pergunto-me se essa febre acomete todos os que quiseram, e conseguiram. Pergunto-me se esse sentimento, hospedeiro, habitou também Clarice Lispector, Cássia Eller, Rosa Luxemburgo. E se esse sentimento não escolhesse gênero nem classe [?] e também viveu, pelo tempo que fosse, dentro de homens. Esse sentimento único, devo admitir, deliciosamente proveitoso.

Tentei dar um nove ao visitante. Inutilmente. Substantivos abstratos, daqueles que definem domingos à tarde, são inutilizáveis para esses momentos. Tempo perdido, aliás, mais tempo perdi tentando definir que aproveitando a presença desse amigo fugaz. Eita sentimento traiçoeiro, conivente que só ele, solícito. Diz que sim, diz que pode, diz que dá. A sintaxe da vontade, uma vontade que adverte: é tudo seu. Um sentimento que alimenta o desejo umbilical de viver, viver intensamente. A lá Lou Reed, você sabe, I say: hey honey, take a walk on the wild side. Desejo sem pesar, sem peso para beijo. Sentimento que não se permite perguntar. Quanto vale cada verso meu? Mereço um terço de você, do verdadeiro você, ou mereço de você tudo? Diz o sentimento: as respostas distanciam os sonhos. Um sentimento que se permite não pode deixar-se parar, sentenciar. Quero tratar bem o inquilino, quero querer tudo, quero ter. E eu só quero tentar. Quero reescrever a exceção...

A propósito, Feliz Ano Novo.

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