Sobre um dia de inverno, sol e um sobrinho.

quarta-feira, julho 13, 2011

No meio da rua me veio com a proposta de, graciosamente, furtar a fruta que estava no último galho da árvore que nos servia de sombra. Ele falava com certa dificuldade. Era uma visível falha de vocabulário. Sempre gostei de monólogos. O que incitava curiosidade era o estranho apetite do infante, que a qualquer comida rejeitava. Enquanto ele esperava meus serviços de mãos-leves, implicava com os pássaros, os carros, os gatos e os barulhos da cidade.

Subi no muro e, com a ponta dos dedos dos pés, equilibrava todo peso do corpo com razoável facilidade. Habilidade de bailarina não formada. Ele ria e inocentemente desejava que eu me estatelasse, de cara com o chão. E eu faria, só para agradar aquele fiapo de gentinha.

Passou um moço de bicicleta, chamando minha atenção com seu quase inaudível “maluquinha”. Enquanto ele repetia com os pássaros a sinfonia de letra equivocada: “Bem-que-vi, bem-que-vi”.

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