Capítulo I
sábado, fevereiro 11, 2012Como se tornar uma barraqueira estúpida
Quem é que disse que é preciso se fazer de forte? Quem disse isso merece que você o bata veementemente com toda essa maldita força.
Fazer de conta que nem amou, que nem sofreu quando, na realidade, você ficou um Mambembe, do Chico Buarque, cantando, louco varrido (…) na estrada, no nada, no nada – ‘ênfase no nada’ - debaixo da ponte. Porque é inevitável fazer aquela cara de bunda, cara de injustiçada social. Levar à boca o dedo – indicador delicadamente dobrado 180º – mordiscá-lo levemente, fazer aquela cara de Ilsa Lund (Casablanca), enquanto o vento te deixa super descabelada. É o indício de que o dramalhão mexicano começou. É o ápice do desespero, o âmago do amor não correspondido, que aflora em seus olhos encharcados de lágrimas. Bem clichê, dramático, cinematográfico e teatral. É o Manual da Garota Estúpida, em sua primeira edição. Que pretende irromper anos. No bom sentido, lógico.
E sempre vai haver a "Mariana", que sempre esteve num relacionamento sério. Que sempre deu certo. Uma tirana, uma vaca – e, diga-se de passagem, muito mais que você. Porque ela é linda, porque ela aconselha, porque o namorado dela vem buscá-la mais cedo para sair e jantar, porque ela sempre fica com quem quer, porque ela, só ela, sabe como lidar em casos assim e blá blá blá.
E você? Você acabou de se despedir do último resquício do parco bom humor que tinha guardado para reunião de segunda-feira. Reunião esta que todos vão perguntar por que seus olhos estão DESSE tamanho. Na reunião em que você vai usar a desculpa clássica da alergia a maquiagem. E depois do expediente pé no – hipotético – saco, você sai para beber, beber mesmo. Beber no ritmo do John Lee Hooker:
Beber até provar quem é você na noite. Beber a la Amy Winehouse, cantar Adele com toda propriedade, tropeçar nas estrelas. Beber até tomar coragem de falar com o gajo. Fazer vexame, fazer vexame. Socar a mesa, falar chorando, segurar o moço, deixar que ele parta. Depois, já bem trôpega, pegar o telefone e ligar para a amiga e contar a cagada. Certamente não contará os mínimos detalhes (uma porque você nem vai lembrar direito e outra porque relembrar é reviver e reviver é passar vexame MAIS UMA VEZ) dizendo que NÃO foi você que apertou o braço do rapaz e pediu pra ele ficar. Aliás, oblitere esse fato, mesmo. ESQUEÇA ele. Nada mais humilhante que o ‘por favor, não vá’. Este mata, cara mia. Este causa ressaca moral da manhã seguinte. Este é o limite da perda da D-I-G-N-I-D-A-D-E. (hiccups)
1 - Apaixone-se sempre que puder, esta dica é infalível. Apaixonou = “estupedecer”. É batata.
2 - Perca o bofe vários motivos (aqui entra sua participação especial, suas artimanhas, as merdas que você resolveu fazer, as merdas que ele fez e tudo mais) chame ele de package of crap. Chore, chore e desague a chorar.
3 - Beba sempre. Beber é o caminho do Nirvana. Você vai se recuperar. Vai pra Rehab (e não venha com esse papo de “no no no”, que Jesus tá vendo tudo isso mocinha).
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