Joana não está aqui.

quarta-feira, maio 08, 2013



            Joana não está aqui e, provavelmente, pelo tempo que esteve não se perguntou ardentemente o porquê estamos todos aqui, dividindo o mesmo tempo e espaço. Não quis saber se existe razão e ordem nisso tudo que chamamos de destino. Joana era do tipo que silenciava, mas quando era voz era também tempestade e era intensidade. Sonhava que era um diabo, sonhava e perdia-se no sonho de tal forma que o sonho era realidade para Joana. Decepcionava-se, erguia-se das cinzas e dizia-se feita de uma matéria secular. Dizia por que ela acreditava em vidas passadas e vidas depois dessa.  
            Quem a conheceu, diz que Joana simplesmente achava que alguns eventos da vida são, no mínimo, incompreensíveis. Como quando sabemos que algo muito bom está para acontecer e somos surpreendidos por uma péssima notícia, a eterna confusão dentro de nossos universos particulares. A emoção conjugada. Ou quando o mundo para quando sabemos que estamos diante de algo capaz de mudar nossos destinos.  Quando ouvimos uma música dentro de nós. Joana nunca entendeu por que não olhamos com gratidão o passado que nos foi negado por algum motivo justo e razoável, não entendia porque nunca foi grata – quando desejava, sentia-se roubada quando não conseguia o objeto de desejo, um ódio súbito que cegava. Joana era egoísta e mesquinha.
            Joana, que não está aqui, amava tudo que via. O amor às vezes doía, mas mesmo assim ela amava. E amava também ao amor, porque dentro das coisas que considerava incompreensíveis, lá estava o amor ocupando uma posição bem significativa. Por que amar era como andar no inabitável e superar diariamente o que não se pode alcançar. Entre alguns amores, houve algumas pausas de extremo desamor e desafeto total para que o amor voltasse completamente estéril e renovado. Joana não aguentava muitas emoções de uma vez só. Era um alguém que se explicava e era feita de confissão.
            Joana não queria ser desse tipo de gente que não enxerga um milagre, nem se ele caísse brusco e assombroso em seus braços. Joana foi caminhar no inexplicável e dizem que não volta mais. 

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