Diogo.

terça-feira, novembro 19, 2013

Não penso se estávamos naquele mesmo bar, naquele mesmo dia. As flores balançavam nas copas das árvores. O frio insuperável decretava: era inverno na capital do inverno. Às vezes, eu chegava a sofrer pensando no que aconteceria se você tivesse aceitado aquele copo de bebida, a moça era lasciva, languida e estava na mesa ao lado. Sofreria, sem saber o porquê, se você tivesse aceitado a fuga. Seria essa a causa do nosso não-encontro?
Provavelmente, eu não fui ao bar naquele dia. Estava dormindo enquanto seu amigo te apresentava aos meus amigos. Minha mania de estar sempre cansada e de, simplesmente, não ir. Não fui porque sabia de algo muito mais íntimo. Não fui porque havia o café, o moletom vermelho, a gentileza, o suéter azul-marinho e tudo mais que bares e apresentações podem solapar.
Aqueles momentos que não estávamos em nós são fragmentos na história. Imutáveis e lindos, como devem ser.
Bares, copas de árvores, dia dos namorados, casamentos, brindes, velas e primeira vez, jantares, amigos, canetas, aquarelas, brincos perdidos, livros preferidos, textos incongruentes sem começo nem fim.
Estamos agora flutuando entre as calçadas, caminhando pelo que não se pode explicar, divagando sobre nossas existências. Com o toque sutil de nosso antepassados, rodopiamos entre as estrelas, infinitamente. Sem medo de me repetir, ou repetir o que outros que amaram disseram antes de nós. O seu braço é um refúgio, que hermeticamente se ajusta à minha cintura. O seu gosto pela arte, seu traço indivisível e incomum. Somos nós dois. Ser um chega a ser fácil, um não se preocupa com a função do plural, um é sozinho, um é condenação, solidão perfeitamente individual, um é filho único que não divide brinquedo.
Somos dois. Cada um em si e, ao mesmo tempo, conosco.

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