Ainda espero.
segunda-feira, novembro 17, 2014É com a idade que a gente aprende e entende. Entende porque o professor de sociologia não atendia as investidas, quando você parecia tão explícita. Aprende porque hoje você enxerga com outros olhos que a diferença de idade entre vocês era enorme e que as paixões da adolescência são esse misto de angústia e amor juvenil não correspondido.
Aprende, com dor nos ombros, que as palavras podem ganhar outros significados. Que as palavras para sempre e jamais têm outro peso; um amigo que morreu em um acidente de carro, o primeiro soluço de desencanto. Nosso visível amadurecimento diante das situações nos coloca cada vez mais próximos de nossos pais. E sobre os nossos pais, o envelhecimento cada vez mais atunuado nos apresenta outra face da vida: a despedida.
Nesses bons anos, eu aprendi e entendi milhares de coisas. Morei só e voltei para a casa da minha mãe. Me formei jornalista. Me desfiz jornalista. Tatuei. Errei. Consertei o que pude e, o que não pude, deixei como estava. Aceitei para contradizer e neguei para concordar. Li muito sobre ter quase trinta e escrevi sobre ter vinte e poucos. E ainda espero. Ainda espero.
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