A morte sempre existiu.
quinta-feira, junho 04, 2015
Assim como a vida. Morrer e nascer não são nêmesis, em
suma. Nascer ou morrer implica muito mais do que um jogo de oposições. Entendemos
apenas sobre esse pequeno intervalo entre os dois acontecimentos, muitas vezes.
Mesmo que existir pareça - e seja - essencialmente importante, a vida na terra
necessita e sempre necessitará de pequenas mortes.
Em nosso corpo, por exemplo, a morte celular
representa muito na manutenção de nossas vidas. Nossa saúde depende de nossas
pequenas mortes diárias. A morte poética também é necessária. Morrer para
passado pelo futuro, o nascedouro da vida. A interrupção da noite. O som do dia
que mata o silêncio na madrugada, para deixar nascer um novo amanhã.
Grandes amores morrem também. 'Para sempre' é
uma figura de linguagem que apenas existe no mundo sobrenatural. Um mundo cruel
onde é impossível deixar de existir. A verdade mais pura é que é sempre
necessário morrer, morrer até para o amor. E embora não seja representada em
plano material, a morte de um grande amor dói que é um diabo. Dói porque a
carne é viva e a nossa memória também é. Mas é preciso morrer. É preciso morrer
para que haja algo de novo.
Como um ciclo eterno, de vida e de morte. Não
há como se opor a esse acontecimento, ele é milenar e inerente à nossa própria
existência. Nossa eterna mortalidade e a mortalidade de tudo que nos permeia.
Somos humanos, demasiadamente humanos. De resto, para que nasça vida novamente,
é necessário deixar entrar tudo aquilo que é compatível à vida.
É preciso também abandonar a morte. Permitir a
luz, permitir que o novo transcenda. Morrer e nascer são acontecimentos
realmente fascinantes. Muitas vezes, é preciso escolher um lado, tocá-lo
sutilmente. Aproveitá-lo. Deixar que ele morra. Tomar por íntimo o outro,
deixar que nasça. Deixá-lo. E assim sucessivamente. Até o fim dos tempos.
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