Eu te odeio como eu odeio o Aécio Neves.
domingo, maio 08, 2016
Eu queria poder socar sua cara e socar minha por voltar a
pensar em socar sua cara. Eu te odeio porque agora não consigo mais escutar
Sondre Lerche. E eu gostava tanto de Sondre Lerche. Eu te odeio porque estou num
puta hiato de um fucking ano sem escrever. E tudo que eu escrevo é uma merda.
Provas, anotações, recados para colegas.
Eu te odeio porque você estragou basicamente tudo que eu
gostava: quadrinhos, filmes, comida, desenhos, falar mal de pessoas, livros,
flores, canetas coloridas, grafite macio, brinquedos e piadas. Eu te odeio
porque não queria aquele maldito café, porque no fim eu sabia que eu poderia
contar meus pedaços. Meus amigos te odeiam também. Eles dizem “você deveria
conhecer alguém diferente dessa vez”, “ele é um idiota”.
Você é tipo o Voldemort
aqui em casa, ninguém fala seu nome. Dizem que há uma linha tênue aprendida
assim mesmo - na base do sofrimento – que delimita o começo e o fim de numa
nova fase em nossas vidas. Há o doce, o esquecimento, a sutileza e o deixar
para trás. O diabo de tudo isso é que quase nunca essa linha se faz visível aos
olhos dos espectadores. E no fim das contas, te odiar tanto é uma espécie de autoconhecimento.
Porque eu cheguei à conclusão que nem todo mundo desama de um jeito bonito e altruísta.
Há gente como eu: egoísta. Pra mim, deixar de amar é como desconhecer, desamar
é ir embora de alguém e deixar que ele também se vá. Desconhecer o gosto, o
cheiro, o som da risada. Ir embora sem despedida. E tudo isso dói que é uma
desgraça, dói como sapato apertado. Eu te odeio tanto tanto tanto. Te odeio
como eu odeio o Aécio Neves. E tenho certeza que um dia a gente pode ficar bem,
mas nesse momento eu só te odeio.
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