exceto que

terça-feira, fevereiro 16, 2016

Diria que houve encontro na escada. Desconcerto, vestido que voa, boca que treme. Diria que houve abraço, silêncio pesado. Eu, Muhammed Ali. Ele, Helena Kolody. Vontade de falar e calar por uma eternidade e um mês. O dar de costas. A despedida. A  mão que paira no ar, como se pudesse capturar meu espírito. A espera. O grand finale, paralisada pelo laço invisível. Diria que houve um sussurro. Uma reviravolta. Casablanca. Uma despedida que não houve. Um beijo doce, carregado pelas almas de todos que havíamos evitado até ali. Eu, nocaute. Ele, o céu ao alcance das mãos. Diria que dali seguimos flutuantes. 

Exceto que não. Exceto porque a luz da manhã me toca áspera e o sonho é a ilusão dos loucos. Exceto porque não há escada, não há beijo e tão pouco corpos que flutuam bailarinos. Há insônia. Boca seca. Madrugada errante. Passo trôpego. Chaves perdidas. Exceto porque te tenho apenas enquanto cerro os olhos e há dificuldade até mesmo nisso. Porque tudo te nega e nega também a mim.

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