superficial
domingo, novembro 01, 2015
Era uma vez um cara que se chamava
Daniel. Não fosse pelo começo lúdico, poderíamos dizer que esse Daniel era um
príncipe que amava uma garota que acabara de conhecer, numa linda coincidência
de trabalho. Em um mundo com aproximadamente 7 bilhões de pessoas, era uma vez
um Daniel que casou-se com uma garota mais velha e interessante e que não era
eu ~ e tudo foi uma merda.
Às vezes, é bem mais complicado que
parece. Quando a gente vai crescendo, percebe que olhar no relógio e ver números
iguais realmente não significa que a pessoa amada está pensando em você. Aliás,
não significa mesmo. Aliás, não significa que gostar é sinônimo de
reciprocidade. Às vezes, a gente nem quer isso. É difícil admitir e quebrar
aquele grande estigma de que o amor é algo maravilhoso, indolente. Daniel é o
que me faz colocar o pé no chão de vez em quando. Foi a primeira vez que cruzei
a dura linha da realidade que delimita o que a gente vive e o conto de fadas.
Bem, o Daniel era uma cara, eu era uma
garota. Saímos, ficamos juntos, divididos um momento. Éramos completamente
diferentes. Éramos quase que um abismo. O bem que fizemos para nós foi dar
errado. Só que eu só entendi isso bem depois. E depois de sofrer litros. De rir
com sorriso amarelo. De sentir aquela dor lá no fundo do peito e fingir que a
gente era feito um para o outro. É sem graça pensar que nada é um sinal. Que
tudo é comum. Que não existe uma estrela brilhando em cima da sua cabeça, com a
seguinte inscrição: eu sou especial. De repente eu estava ali, pensando no Daniel
que foi feliz pra sempre com aquela garota com que ele simplesmente quis ficar.
Sem cerimônia.
O fato é que eu tinha apenas 19 anos e
ainda tinha aquela ingenuidade besta dos 19 anos. E o Daniel tinha a idade que
eu tenho hoje. Os vinte e cinco da loucurage na laje. E a gente com 25 não quer
todo mundo. A gente quer estabilidade e eu no lugar dele, não faria diferente:
pegava a moça mais velha, mais interessante e que não era eu. E no fim, o
Daniel é quase um recurso que uso sempre que tudo vai fugindo do controle.
Porque um Daniel às vezes é o que nos separa de uma vida sensacional. Eu tive
que me tornar interessante pra mim, aprender a ler direito, aprender política e
aprimorar o gosto musical. A Camila versão 2015 nem gosta mais das mesmas
coisas. E o cara ficou feio bem no fim, que sorte.
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