Pão, circo e a cueca
sexta-feira, outubro 23, 2009No Brasil quando a gente pensa que já viu de tudo, está redondamente enganado. Ainda mais se tratando de política. O mais recente apontamento é o fetiche de certos políticos por uma peça tão íntima do vestuário masculino: a cueca. Não é de se duvidar que na próxima estátua de homenagem, ele, seja lá quem for, esteja apenas de cueca.
Ela já serviu como mala – o caso histórico e patético dos dólares na cueca, envolvendo participantes do Partido dos Trabalhadores – e para os infantilismos de Suplicy, que parecia mais um personagem heroico das histórias em quadrinhos na sua cueca vermelha por cima da calça.
O circo foi armado na última quinta-feira (15), o cenário foi o Salão Azul do Congresso Nacional. Eduardo Suplicy, atendendo aos pedidos encarecidos de um programa humorístico, vestiu a cueca por cima da roupa e andou irreverente como se realmente fosse um super- herói. Mas essa não foi a primeira vez de Suplicy, no auge a crise enfrentada pela Casa, com um bom humor arbitrário, deu um cartão vermelho para José Sarney, o presidente eterno.
O corregedor do Senador Romeu Tuma (PTB- SP) afirmou na segunda-feira que apesar do petista não receber nenhuma punição, analisa a possibilidade de elaborar algum tipo de advertência a Suplicy, já que alguns parlamentares consideraram a situação um desrespeito ao Congresso Nacional.
O que mais entristece é o fato de tudo isso envolver o PT, aquele mesmo PT de quem sempre me lembrava como o partido dos sindicalistas de esquerda e dos intelectuais socialistas. Partido da resistência. Por ser tão paulista quanto dos Demônios da Garoa, a trilha de fundo da história petista merece, parafraseando, a trágica da Saudosa Maloca: “Preciá a demolição/Que tristeza que nois sentia/ Cada tábua que caía/ Duia no coração”.
Enquanto cuecas e outras peças de roupa forem os panos de fundo para esconder toda corrupção das paredes do Congresso, nos brasileiros terminamos cantando “Deus dá o frio conforme o cobertô”. Para nos contentarmos com pão e circo, com um acréscimo brasileiríssimo: o pão, o circo e a cueca.
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