Marina, a mensageira

quinta-feira, dezembro 08, 2011

Tenho dormido pouco e quando me deixo na cama, os sonhos teimam em não deitar comigo. Há mais de quatro longos meses espiava o sono de meus colegas. Que sonhos sonhavam? Não consigo escrever e quando sinto inspiração, ela é tão efêmera que padece antes mesmo de tentar por em prática a profissão que sempre amei. Escrever é um ato de parir, meus filhos tem sido rebeldes e odiáveis.
Marina, que não acredita em Deus, me disse que o Onipotente vem ter com ela todas as noites, em seus sonhos. Marina é do tipo anjo dos recados, Deus diz envia sua mensagem através dela, ateia. Diz Ele que ela é a maneira mais fácil de manifestar e se dizer presente, ela não manipula as mensagens. Eu observei o sono de Marina, por uma longa noite, revezei entre o sono da emissária e as palavras dos livros para interpretar sonhos, que não tenho há quatro meses. Quem sabe Deus também tivesse algo para mim, naquela noite.
Marina acordou bonita. Um espelho refletindo o que amei durante esses anos de vida. Ela dizia que havia um recado para mim, lá de cima, do Divino Alfa-Ômega. Rindo, eu disse para mandar a brasa.
- E disse Deus: Quando deitar amanhã, dispa-se. Dos amores, das dívidas, dos perdões, dispa-se das roupas, dispa-se. Coloque o copo azul, que está debaixo da cama, na escrivaninha.
Terminou o recado como havia começado. Como se fosse um bilhetinho qualquer, Marina leu as linhas certas e caminhos tortos do nosso bom Deus. Tirei o copo, despi a roupa. Curiosa e cheia de esperanças, sorri. Marina nunca entrou em meu quarto.

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